Neste capítulo
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- Os preços da habitação subiram 17,6% em 2025, a maior subida anual da série do INE, e 16,5% no 2.º trimestre de 2026, face ao ano anterior.
- Entre 2015 e 2025 o índice de preços subiu 164% em médias anuais, contra 53% na zona euro. Só a Hungria subiu mais na UE.
- Face ao salário médio por trabalhador, as casas ficaram cerca de 84% mais caras desde 2015.
- A renda mediana dos novos contratos mais do que duplicou desde 2017, de 4,39 para 9,50 €/m².
A subida de 2025
Os preços da habitação subiram 17,6% em 2025, a maior subida anual da série do INE: 18,9% nas casas usadas e 14,2% nas novas. Venderam-se 169 812 casas, por 41,2 mil milhões de euros, o valor mais alto da sérieFonte primáriaINE — Índice de Preços da Habitação, 4.º trimestre de 2025Preços +17,6% em 2025; 169 812 transações; compras por famílias (148 632) e por não residentes (8471).Abrir o original ↗.
A subida abrandou pouco em 2026: +17,8% no 1.º trimestre e +16,5% no 2.º, face ao mesmo trimestre do ano anterior, com menos transaçõesFonte primáriaINE — Índice de Preços da Habitação, 2.º trimestre de 2026Preços +16,5% no 2.º trimestre de 2026, face ao período homólogo; transações −6,4%.Abrir o original ↗.
+17,6%
preços da habitação em 2025, a maior subida da série
Dado oficialINE · IPH
+164%
preços entre 2015 e 2025, em médias anuais; zona euro: +53%
Dado oficialEurostat
9,50€/m²
renda mediana dos novos contratos (12 meses até março de 2026)
Dado oficialINE
Portugal na Europa
Em 2013, no fim do programa de assistência, os preços estavam 13% abaixo de 2010. Desde então, Portugal teve uma das subidas mais rápidas da Europa: o índice de 2025 está 2,6 vezes acima do de 2015Fonte primáriaEurostat — prc_hpi_a — índice de preços da habitação, anualMédias anuais 2015 = 100.Abrir o original ↗. O Eurostat coloca Portugal em 2.º lugar na UE, com +180% entre 2015 e o fim de 2025, depois da HungriaFonte primáriaEurostat — House prices and rents went up in Q4 2025Portugal +180% (4.º trim. 2025 vs 2015), 2.º na UE.Abrir o original ↗.
Preços da habitação: Portugal e a Europa, 2010–2025
Índice de preços da habitação · média anual · 2015 = 100
- Portugal
- Zona euro
- Espanha
- Hungria
- Outros comparadores
Dado oficial Eurostat, prc_hpi_a (01-10-2026). Hungria 2025 provisório.
Médias anuais: +164% em Portugal entre 2015 e 2025. Os +180% citados pelo Eurostat comparam o 4.º trimestre de 2025 com a média de 2015.
Dois números para a mesma subida
Os +180% do Eurostat comparam o 4.º trimestre de 2025 com a média de 2015. Comparando médias anuais, 2025 face a 2015, a subida é de +164%. O FMI cita +169%, com dados até ao 3.º trimestre de 2025. É o mesmo índice, medido até momentos diferentes.
Preços contra salários
A remuneração bruta média por trabalhador era de 1505 € em 2023Fonte primáriaGoverno de Portugal — Salário médio por trabalhador atingiu 1505 euros em 2023+27,7% desde 2015.Abrir o original ↗ e de 1694 € em 2025. Face a cerca de 1179 € em 2015, subiu cerca de 44%. No mesmo período, o índice de preços da habitação subiu 164%. Dividindo um pelo outro, uma casa custa hoje cerca de 84% mais anos de salário do que em 2015. Cálculo próprio
Preços da habitação e salário médio, 2015–2025
Índice · 2015 = 100 · salário só nos anos com valor conhecido
- Preços da habitação (Eurostat)
- Remuneração bruta média por trabalhador
Dado oficial Eurostat (preços); INE e Governo (salários). Cálculo próprio para o índice salarial.
O salário de 2015 é derivado da variação publicada até 2023 e está por confirmar na tabela do INE. Os anos sem valor não são interpolados. É um salário por trabalhador, não o rendimento das famílias.
O que isto não prova
É um salário por trabalhador, não o rendimento das famílias, que pode juntar dois salários e outras fontes. O valor de 2015 é derivado e está por confirmar na tabela do INE (registo V01). O rácio mostra a direção e a ordem de grandeza, não a taxa de esforço de uma família concreta.

Rendas
A renda mediana dos novos contratos de arrendamento era de 4,39 €/m² em 2017Fonte secundáriaidealista/news — Renda mediana dos novos contratos em 2017 (INE)Renda mediana de 4,39 €/m² em 2017, série anterior do INE.Abrir o original ↗. Nos 12 meses até março de 2026 foi de 9,50 €/m², em 149 690 contratosFonte primáriaINE — Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, 1.º trimestre de 2026Mediana de 9,50 €/m² (12 meses) e 9,46 €/m² (trimestre); série nova com dados da AT.Abrir o original ↗: mais 116%. Em Lisboa (concelho), a mediana do 1.º trimestre de 2026 foi de 17,42 €/m², mais 8,2% do que um ano antesFonte secundáriaidealista/news — Rendas aceleram e sobem 9,1% no arranque do anoDados do INE: renda mediana de Lisboa 17,42 €/m² (+8,2%) no 1.º trimestre de 2026.Abrir o original ↗.
Nota de série
Em 2026 o INE iniciou uma série nova, desde 2020, com dados da Autoridade Tributária, que cobre cerca de 50% mais contratos. O INE indica que, no período comum, a mediana por m² não muda de forma significativa. A comparação com 2017 atravessa as duas séries e deve ler-se como indicativa.
Porque subiram tanto
Um estudo do Banco de Portugal deteta sobrevalorização dos preços desde 2017 e conclui que, ao contrário de Espanha, a oferta não conseguiu compensar a pressão da procuraFonte primáriaBanco de Portugal — Lourenço, Moura e Rodrigues, Revista de Estudos EconómicosSobrevalorização desde 2017; efeito da procura estrangeira no preço mediano «geralmente limitado».Abrir o original ↗. O FMI considera os desequilíbrios estruturais, não cíclicos: escassez de construção, baixa produtividade do setor, licenciamento lento e limitações do arrendamento. O crédito não foi o motor principal: o crédito novo representa cerca de metade do valor das transaçõesFonte secundáriaidealista/news — FMI dá luz verde à banca, mas alerta para riscos no crédito habitaçãoFSAP do FMI; recomendação de retirar apoios à procura.Abrir o original ↗.
Argumentos contrários
- Os preços partiram de um nível baixo: em 2013 estavam abaixo de 2010. Parte da subida é recuperação.
- A média nacional esconde diferenças grandes entre Lisboa, Porto e Algarve e o resto do país.
- Os rendimentos das famílias podem ter crescido mais do que o salário médio por trabalhador, porque o emprego também aumentou.
