Neste capítulo
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- Compradores com domicílio fiscal no estrangeiro ficaram com cerca de 5% das casas vendidas em 2025, e esse peso está a cair há três anos.
- Somando os estrangeiros que vivem em Portugal, cidadãos estrangeiros fizeram 27,6% das compras por famílias. A maioria vive cá.
- Os compradores de fora da UE pagaram, em média, o dobro dos compradores com domicílio em Portugal.
- O RNH foi criado e fechado por governos PS; o visto gold foi criado pelo governo PSD/CDS e fechado ao imobiliário pelo PS.
Três populações, três denominadores
Em 2025, compradores com domicílio fiscal no estrangeiro compraram 8471 casas (−13,3%), por 3,4 mil milhões de euros: cerca de 5,0% das casas vendidas e 8,3% do valorFonte primáriaINE — Índice de Preços da Habitação, 4.º trimestre de 2025Preços +17,6% em 2025; 169 812 transações; compras por famílias (148 632) e por não residentes (8471).Abrir o original ↗. Mas estes são os não residentes. Contando também os estrangeiros que vivem em Portugal, cidadãos estrangeiros fizeram 41 086 das 148 632 compras por famílias, ou 27,6%Fonte secundáriaECO — Uma em cada quatro casas vendidas em 2025 foi para mãos estrangeiras41 086 compras por cidadãos estrangeiros (famílias); crédito à habitação.Abrir o original ↗.
Quem comprou casa em 2025: compras por famílias
Número de compras · 148 632 no total · por nacionalidade e domicílio fiscal do comprador
Dado oficial INE, via ECO (24-03-2026). Portugueses e estrangeiros com domicílio no estrangeiro: Cálculo próprio.
Só compras por famílias; não inclui empresas. «Domicílio fiscal» não é o mesmo que autorização de residência.
Porque não batem certo 8471 e 6248
Os 8471 compradores com domicílio fiscal no estrangeiro incluem todos os setores e todas as nacionalidades, incluindo emigrantes portugueses. Os 6248 são apenas famílias de nacionalidade estrangeira com domicílio fiscal no estrangeiro (41 086 − 34 838). «Residente», nestas estatísticas, significa domicílio fiscal, não autorização de residência.
Menos compradores, preços mais altos
Os não residentes nunca passaram de 8% das transações nos últimos sete anos, e o seu peso em valor caiu de cerca de 13% no fim de 2023 para 8% no 2.º trimestre de 2025Fonte secundáriaidealista/news — Compras por não residentes e agravamento do IMTNão residentes nunca acima de 8% das transações em sete anos; peso em valor de 13% para 8%.Abrir o original ↗. Mas pagam mais: 234 120 € em média para compradores com domicílio em Portugal, 335 640 € para os da UE e 470 277 € para os restantesFonte primáriaINE — Índice de Preços da Habitação, 4.º trimestre de 2025Preços +17,6% em 2025; 169 812 transações; compras por famílias (148 632) e por não residentes (8471).Abrir o original ↗. O Banco de Portugal estima que os estrangeiros, residentes ou não, conseguem pagar em média mais 43% por uma casaFonte secundáriaDiário de Notícias — Estrangeiros têm capacidade de pagar mais 43% por uma casa que os portuguesesEstimativa do Banco de Portugal: compradores estrangeiros pagam em média mais 43%.Abrir o original ↗.
Quanto pagou cada comprador, em média, em 2025
Preço médio por casa vendida · euros · por domicílio fiscal do comprador
Dado oficial INE, Índice de Preços da Habitação, 4.º trimestre de 2025.
Um preço médio mais alto também reflete o tipo e a localização das casas compradas, não só a capacidade de pagar.

Um efeito local
A procura estrangeira concentra-se no Algarve, em Lisboa e na Madeira. Um estudo do Banco de Portugal de 2026 aponta o Algarve como caso de oferta pouco elástica combinada com procura de não residentes orientada para investimentoFonte secundáriaObservador — Crise da habitação não se resolve com políticas do lado da procuraResumo do estudo do BdP (Amador).Abrir o original ↗. O estudo de 2024 considera o efeito da procura estrangeira sobre o preço mediano nacional «geralmente limitado», sem excluir contágio a outras zonasFonte primáriaBanco de Portugal — Lourenço, Moura e Rodrigues, Revista de Estudos EconómicosSobrevalorização desde 2017; efeito da procura estrangeira no preço mediano «geralmente limitado».Abrir o original ↗.
O maior grupo de compradores estrangeiros vive em Portugal: os brasileiros compraram 9808 casas em 2025, 23,9% das compras por estrangeiros. Os estrangeiros fizeram 11,7% dos contratos de crédito à habitação em 2025, contra 6,1% em 2021Fonte secundáriaECO — Uma em cada quatro casas vendidas em 2025 foi para mãos estrangeiras41 086 compras por cidadãos estrangeiros (famílias); crédito à habitação.Abrir o original ↗. Esta parte da procura «estrangeira» está ligada à imigração, não ao investimento externo.
RNH e vistos gold: quem criou e quem acabou
O regime do Residente Não Habitual (RNH) foi criado em 2009 pelo governo PS de José Sócrates e fechado a novos entrantes pelo Orçamento do Estado para 2024, do governo PS de António Costa, com um regime transitório e um substituto mais restrito, o IFICIFonte secundáriaForvis Mazars — O (quase) fim do RNHFim do RNH e regime transitório.Abrir o original ↗. Tinha 114 645 beneficiários em 2023, e a despesa fiscal passou de 620 milhões de euros em 2019 para 1741 milhões em 2024Fonte secundáriaidealista/news — IGF: beneficiários e despesa fiscal do RNH114 645 beneficiários em 2023; despesa fiscal de 620 M€ (2019) para 1741 M€ (2024).Abrir o original ↗.
A autorização de residência para investimento (visto gold) foi criada em 2012 pelo governo PSD/CDS de Passos Coelho, durante o programa de assistência. O governo Costa restringiu a via imobiliária ao interior e às regiões autónomas a partir de 2022 e acabou com ela em 2023, com o programa Mais Habitação. Entre 2012 e setembro de 2023 houve 12 718 autorizações e 6450 milhões de euros de investimento, cerca de 3% do valor das transações de habitação no períodoFonte secundáriaObservador — Fact-check: vistos gold foram só 3% do investimento na compra de casas12 718 autorizações; 6450 M€ (2012–set. 2023).Abrir o original ↗.
Em 2026, o governo Montenegro fixou uma taxa única de IMT de 7,5% na compra de habitação por não residentes, com três exceções: o comprador já ser residente fiscal, tornar-se residente fiscal em dois anos, ou arrendar a casa com renda moderada durante pelo menos 36 mesesFonte primáriaDiário da República — Decreto-Lei n.º 97/2026 (IVA a 6%, IMT para não residentes, RSAA)Texto oficial lido.Abrir o original ↗. Não reabriu a via imobiliária do visto gold.
O que isto não prova
Ambos os regimes foram fechados a novos entrantes antes de abril de 2024. O que se pode discutir é o efeito dos beneficiários que já existem. Não há um estudo independente que quantifique o efeito do RNH ou dos vistos gold nos preços nacionais (registo V09), por isso esta investigação não afirma nenhum valor.
Argumentos contrários
- Em zonas como o Algarve ou o centro de Lisboa, 5% das transações a preços muito mais altos pode puxar os preços locais para cima, mesmo com um efeito nacional limitado.
- Os compradores com mais capacidade de pagar podem influenciar o que os promotores decidem construir, orientando a oferta para o segmento alto.
