Perguntas e respostas sobre o mercado imobiliário em Portugal

Respostas curtas, com números e fontes, às perguntas mais feitas sobre os preços das casas, as rendas, a construção e a procura estrangeira em Portugal.

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Como ler esta página

Cada resposta resume o que dizem os dados oficiais mais recentes e remete para o capítulo onde o tema é explicado com gráficos e fontes. Os números são revistos quando as fontes os revêem. Esta página é informação, não aconselhamento financeiro ou de investimento.

Porque é que as casas estão tão caras em Portugal?

Porque, durante mais de uma década, Portugal construiu muito poucas casas novas e a procura cresceu depressa. Entre 2000 e 2010 concluíram-se em média 79 564 casas novas por ano; entre 2015 e 2025, 16 283. Ao mesmo tempo, a população aumentou 824 914 pessoas entre 2021 e 2025, quase toda por imigração.

Os custos de construção, o turismo, o alojamento local, os juros baixos até 2021 e a procura estrangeira em algumas regiões somaram-se a esse desequilíbrio. O Banco de Portugal conclui que a procura se transmite mais aos preços onde a oferta é mais rígida.

Conclusões: o que nos trouxe até aqui →

Quanto subiram os preços das casas em Portugal?

Os preços da habitação subiram 17,6% em 2025, a maior subida anual da série do INE, e 16,5% no 2.º trimestre de 2026 face ao ano anterior.

Entre 2015 e 2025 o índice subiu 164% em médias anuais, contra 53% na zona euro. O Eurostat coloca Portugal em 2.º lugar na UE, depois da Hungria.

Capítulo 2: preços e rendas →

Quanto custa o metro quadrado de uma casa em Portugal?

O preço mediano das casas vendidas no 2.º trimestre de 2026 foi de 2445 €/m², em 37 854 vendas. É uma mediana nacional: em Lisboa, no Porto e no Algarve os valores são muito mais altos, e no interior muito mais baixos.

Capítulo 2: preços e rendas →

Quanto custa arrendar casa em Portugal?

A renda mediana dos novos contratos foi de 9,50 €/m² nos 12 meses até março de 2026, mais do dobro dos 4,39 €/m² de 2017. No concelho de Lisboa, a mediana do 1.º trimestre de 2026 foi de 17,42 €/m².

Capítulo 2: rendas →

Quantas casas novas se constroem por ano em Portugal?

Concluíram-se 27 301 casas novas em 2025, o valor mais alto desde 2011, mas ainda muito longe das 125 708 de 2002. O licenciamento chegou a 42 066 fogos em 2025, o que indica mais casas concluídas nos próximos anos.

Capítulo 1: construção nova →

Os estrangeiros estão a comprar as casas em Portugal?

Depende de que estrangeiros. Compradores com domicílio fiscal no estrangeiro ficaram com cerca de 5% das casas vendidas em 2025. Contando também os estrangeiros que vivem em Portugal, cidadãos estrangeiros fizeram 27,6% das compras por famílias, e a maioria vive cá.

O efeito dos não residentes é sobretudo local: Algarve, Lisboa e Madeira. Em média pagaram mais: 335 640 € (UE) e 470 277 € (fora da UE), contra 234 120 € para compradores com domicílio em Portugal.

Capítulo 3: procura estrangeira →

Qual é o efeito da imigração no preço das casas?

A imigração foi um grande choque de procura: a população cresceu 824 914 pessoas entre 2021 e 2025, para 95 294 casas novas concluídas. Com 2,5 pessoas por agregado, são cerca de 330 mil agregados (cálculo ilustrativo).

O Banco de Portugal estima que 1% mais procura eleva os preços entre 0,52% e 0,64%, mas não isola a parte da imigração. E os preços já subiam antes da grande vaga migratória.

Capítulo 4: imigração →

O RNH e os vistos gold ainda existem?

Não para novos candidatos. O regime do Residente Não Habitual (RNH) foi fechado pelo Orçamento do Estado para 2024 e substituído pelo IFICI, mais restrito. A via imobiliária dos vistos gold acabou em 2023, com o programa Mais Habitação; mantêm-se outras vias, como fundos.

Capítulo 3: RNH e vistos gold →

Quanto paga de IMT um comprador não residente?

Desde 2026, a compra de habitação por não residentes paga uma taxa única de IMT de 7,5%, sem isenções. Há exceções: o comprador já ser residente fiscal, tornar-se residente em dois anos ou arrendar a casa com renda moderada durante pelo menos 36 meses.

Capítulo 3: o que mudou em 2026 →

O que é o IVA a 6% na construção de habitação?

É uma taxa reduzida de IVA para a construção e reabilitação de casas destinadas a habitação própria ou arrendamento, para obras com processo iniciado entre 25 de setembro de 2025 e o fim de 2029, com tetos de preço de venda e de renda. Como uma obra demora dois a quatro anos, o efeito nas casas concluídas só deve aparecer a partir de 2027.

Capítulo 5: impostos e licenciamento →

Que apoios existem para os jovens comprarem casa?

Os jovens até 35 anos estão isentos de IMT e de Imposto do Selo nas compras desde agosto de 2024, e há uma garantia pública no crédito à habitação, reforçada até 2,3 mil milhões de euros, para contratos até ao fim de 2026. O FMI e o Banco de Portugal alertam que estes apoios aumentam a procura sem aumentar a oferta.

Capítulo 6: políticas do lado da procura →

Os preços das casas vão descer em Portugal?

Nenhuma instituição publica previsões de preços da habitação a cinco ou dez anos, e esta investigação também não. O FMI considera que os preços «parecem esticados», mas que o risco de uma correção a curto prazo é contido. O Banco de Portugal projeta um crescimento do investimento em habitação de cerca de 2% por ano até 2028.

Enquanto se construírem muito menos casas do que a procura pede, a pressão sobre os preços tende a manter-se. Os cenários para 2030 e 2035 estão nas conclusões.

Conclusões: três cenários para 2030 e 2035 →

Quantas casas faltam em Portugal?

Um estudo do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia estima que, até 2035, Portugal precisa de cerca de 465 mil casas novas, sobretudo nas regiões de Lisboa e do Porto. Ao ritmo de 2025, a década produziria cerca de 273 mil. É uma estimativa de terceiros.

Conclusões: a necessidade estimada →