Neste capítulo
Neste capítulo
- O pico foi em 2002 (125 708 casas) e o mínimo em 2015 (7148). Em 2025 concluíram-se 27 301, o valor mais alto desde 2011 e ainda abaixo de 2010.
- A queda começa em 2003 e acelera com a crise de 2008 e o programa de assistência de 2011–2014. É anterior aos governos de Costa e de Montenegro.
- Os organismos públicos promoveram 10 casas novas em 2024 e 53 em 2025.
A série
Portugal concluiu 35 442 casas novas em 2010 e uma média de 79 564 por ano entre 2000 e 2010Fonte primáriaINE — Indicador 0013249 — fogos concluídos em construções novasSérie 2011–2025 por entidade promotora (API do INE).Abrir o original ↗. Desde 2015 a média é de 16 283 por ano. A recuperação é real: o licenciamento chegou a 42 066 fogos em 2025, o máximo desde 2011Fonte primáriaINE — Indicador 0008309 — fogos licenciados em construções novasLicenciamentos 2002–2025, revistos.Abrir o original ↗. Mas uma licença demora dois a quatro anos a tornar-se uma casa concluída.
Casas novas concluídas e licenciadas por ano, 2000–2025
Fogos concluídos em construções novas para habitação familiar · número · 2021–2025 preliminares
- Final
- Preliminar
- Média do período
- Governo em funções
Dado oficial INE, Estatísticas das Obras Concluídas (0013249), via PORDATA. Licenciados: INE (0008309).
As faixas mostram o governo em funções na maior parte de cada ano, não quem causou o valor: uma casa concluída resulta de uma licença pedida dois a quatro anos antes.
Nota de método
A série conta só fogos em construções novas para habitação familiar. A reabilitação e as ampliações acrescentam casas, mas o INE não publica uma série nacional de fogos reabilitados. Os indicadores disponíveis apontam para um contributo líquido de no máximo cerca de 12% em 2025, e o número de edifícios reabilitados diminuiu desde 2015.
Para 2025 há dois números do INE: 27 301 (apuramento anual, usado aqui) e 26 714 (soma das estimativas trimestrais).
O contrafactual
Se 2015–2025 tivesse mantido o ritmo de 2000–2010, Portugal teria concluído mais 696 088 casas novas: 875 206 em 2000–2010, contra 179 118 em 2015–2025.
Casas novas acumuladas desde 2015: real e ao ritmo de 2000–2010
Fogos concluídos acumulados · número · 2015–2025 · contrafactual = 79 564 por ano
- Real (acumulado)
- Ao ritmo de 2000–2010 (hipotético)
Cálculo próprio a partir do INE (0013249).
O que isto não prova
Estas 696 088 casas são uma comparação com um ritmo anterior, não a medida de um défice habitacional. O ritmo de 2000–2010 incluiu um ciclo de construção excecional, que não é um objetivo. As necessidades reais dependem de quantos agregados precisam de casa, onde, e de quantas casas vagas podem voltar ao mercado.
Quem constrói
Quase toda a construção nova é promovida por particulares e empresas. Os organismos públicos concluíram 401 casas novas em 2011 e 10 em 2024. O principal programa público, o 1.º Direito, aposta sobretudo na reabilitação: até ao fim de 2025 tinha 18 778 fogos concluídos, cerca de 85% reabilitados, e só 2401 entregues às famíliasFonte secundáriaECO — Apenas 12% das casas do 1.º Direito concluídas foram entreguesRelatório da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR.Abrir o original ↗.
Casas novas concluídas promovidas por organismos públicos
Fogos em construções novas para habitação familiar · número · 2011–2025
Dado oficial INE (0013249), por entidade promotora.
Argumentos contrários
- Os Censos 2021 contaram 723 215 alojamentos vagos. Parte da resposta pode vir daí, embora muitos estejam no interior, degradados ou em heranças por resolver.
- Construir mais não chega se as casas não forem construídas onde a procura cresce: Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve.
Cronologia e desfasamento
A queda começa em 2003, depois do fim do crédito bonificado para novos contratos (setembro de 2002) e do pico do ciclo. Acelera com a crise financeira de 2008 e o programa de assistência de 2011–2014. O colapso da construção é, portanto, anterior aos governos de António Costa e de Luís Montenegro.
O que se pode imputar aos governos posteriores a 2015 é a lentidão da recuperação, não a queda. E parte do aumento de 2024–2025 vem de projetos licenciados no governo anterior. Análise do autor
