Neste capítulo
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A situação atual
+17,6%
preços da habitação em 2025, a maior subida da série; o rendimento disponível subiu 5,7%
Dado oficialINE · BdP
169 812
casas vendidas em 2025, por 41,2 mil M€, o máximo da série
Dado oficialINE
42 066
casas novas licenciadas em 2025, máximo desde 2011; concluídas: 27 301
Dado oficialINE
+36 809
residentes em 2025, contra +182 875 em 2024: a procura demográfica abranda
Dado oficialINE
Os preços continuaram a subir em 2026: +17,8% no 1.º trimestre e +16,5% no 2.º, face ao ano anterior (fonte secundária, a confirmar nos destaques do INE). As rendas dos novos contratos subiram 9,1% no 1.º trimestre. O custo de construir uma casa nova voltou a acelerar com o choque energético associado ao conflito no Médio Oriente: +7,5% em agosto de 2026.
O Banco de Portugal projeta um crescimento médio do investimento em habitação de cerca de 2% por ano em 2026–2028, abaixo de 2024–2025, num contexto de crescimento populacional mais lento, de abrandamento do rendimento disponível real e da manutenção dos desafios à acessibilidadeFonte primáriaBanco de Portugal — Boletim Económico, outubro de 2026Projeções 2026–28; investimento em habitação +2% por ano; choque energético.Abrir o original ↗. O FMI considera que os preços «parecem esticados» face aos seus determinantes de longo prazo, mas que o risco de uma correção a curto prazo é contidoFonte secundáriaObservador — Preços das casas «parecem esticados», diz o FMIAvaliação do FMI no Banco de Portugal.Abrir o original ↗.
O que nos trouxe até aqui
A crise resulta de várias forças que se somaram. Algumas vêm de antes de 2015; outras são recentes. Nenhuma, sozinha, a explica.
- Colapso da construção — de 79 564 casas por ano (2000–2010) para 16 283 (2015–2025). Evidência forte.
- Choque de procura demográfica — +824 914 residentes entre 2021 e 2025, quase todos por imigração, para 95 294 casas novas. Evidência forte.
- Oferta rígida — o BdP estima que a procura se transmite mais aos preços onde a oferta é menos elástica. Evidência forte.
- Custos de construção — +33% entre 2020 e 2025; mão de obra +41%. Evidência forte.
- Habitação pública residual — cerca de 2% do parque. Evidência forte.
- Procura estrangeira, turismo e alojamento local — efeito concentrado no Algarve, em Lisboa, na Madeira e nos centros históricos. Evidência local.
- Juros baixos, agregados mais pequenos e incentivos à procura — contributos moderados.
Limites da atribuição causal
A investigação não consegue dizer quanto da subida dos preços se deve a cada fator. O estudo do Banco de Portugal mede o efeito da procura no seu conjunto e não isola a migração. Não existe um estudo independente que quantifique o efeito do RNH ou dos vistos gold nos preços nacionais.
2030 e 2035: três cenários
Cenários, não previsões
Nenhuma instituição publica previsões de preços da habitação a cinco ou dez anos, e esta investigação também não o faz. Os cenários partem de pressupostos explícitos sobre a construção e a procura. Os números de casas são cálculos ilustrativos.
A referência para as necessidades é um estudo do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC): até 2035, Portugal precisa de cerca de 465 mil casas novas, sobretudo nas regiões de Lisboa e do PortoFonte secundáriaJornal de Negócios — Portugal precisa de mais 180 mil casas na próxima década (estudo JRC)Necessidade estimada até 2035; estudo original por consultar.Abrir o original ↗. Ao ritmo de 2025, a década produziria cerca de 273 mil.
Casas novas acumuladas, 2026–2035: dois cenários de construção e a necessidade estimada
Fogos concluídos acumulados · número · cenários ilustrativos (cálculo próprio) e estimativa do JRC
- A · Recuperação lenta
- B · Aceleração da oferta
- Necessidade estimada (JRC)
Cálculo próprio Pressupostos na página. Necessidade: JRC
- A · Recuperação lenta — ≈ 161 mil casas até 2030 e ≈ 336 mil até 2035; faltariam ≈ 130 mil. Preços e rendas continuam a crescer acima dos salários. Análise do autor
- B · Aceleração da oferta — ≈ 185 mil até 2030 e ≈ 435 mil até 2035, perto da necessidade. A subida dos preços aproxima-se da dos rendimentos no fim da década. Análise do autor
- C · Choque e ajustamento — juros mais altos e menos imigração arrefecem a procura, mas a construção também cai: escassez adiada, não resolvida. Análise do autor
Conclusões
- Bem sustentado: Portugal constrói um quinto das casas novas que construía no início do século, e a recuperação desde 2015 é lenta.
- Bem sustentado: entre 2021 e 2025 a população aumentou cerca de 825 mil pessoas e concluíram-se cerca de 95 mil casas novas.
- Bem sustentado: quando a oferta não responde, mais procura traduz-se sobretudo em preço.
- Contributo relevante, mas local: a procura estrangeira não residente e o alojamento local.
- Responsabilidade partilhada: o colapso da construção é anterior a 2015; a lentidão da resposta atravessa vários governos. Análise do autor
- O desafio estrutural: sem construir cerca de 46 mil casas por ano durante uma década, onde a procura cresce, é improvável que a acessibilidade melhore de forma duradoura. Análise do autor
