Neste capítulo
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- Construir uma casa nova ficou cerca de 33% mais caro entre 2020 e 2025; a mão de obra subiu 41%.
- Em 2022 os materiais dispararam com a guerra na Ucrânia; em 2026 voltaram a subir com o choque energético.
- A mão de obra sobe entre 5% e 8% todos os anos desde 2021: é o sinal de escassez de trabalhadores.
- O IVA a 6% na construção de habitação só abrange obras iniciadas a partir do fim de 2025.
Três choques em seis anos
O índice de custo de construção de habitação nova subiu 12,2% em 2022, o máximo em décadas, e entre 3% e 4% por ano em 2023–2025. Em agosto de 2026 subia 7,5% face a agosto de 2025, com aumentos nos materiais e na mão de obraFonte primáriaINE — Indicador 0011748 — índice de custo de construção de habitação novaSérie mensal até agosto de 2026.Abrir o original ↗Fonte secundáriaCNN Portugal — Custos de construção de casas novas sobem 7,5% em agostoConfirmado na série do INE.Abrir o original ↗.
Custos de construção mês a mês, 2020–2026
Variação homóloga do índice de custo de construção de habitação nova · % · jan. 2020 – ago. 2026
- Total
- Materiais
- Mão de obra
Dado oficial INE, ICCHN base 2021 (0011748). Variação homóloga: Cálculo próprio.
Covid e Ucrânia (2021–2022). Em maio de 2022 os materiais subiam 19,5% ao ano; os produtos cerâmicos mais de 70%, o aço e o gasóleo mais de 30%Fonte secundáriaidealista/news — Custos de construção: materiais em maio de 2022 (INE)Materiais +18,7% ao ano em maio de 2022 (série anterior); cerâmicos mais de 70%.Abrir o original ↗. Estabilizaram em 2023–2025, mas não voltaram aos níveis anteriores.
Irão (2026). Os ataques ao Irão no fim de fevereiro de 2026 e a perturbação do Estreito de Ormuz levaram o petróleo Brent acima de 100 dólares e o gás europeu a subir mais de 60%Fonte secundáriaidealista/news — Guerra com o Irão: petróleo e gás disparamBrent acima de 100 dólares; gás europeu +60%.Abrir o original ↗. Em agosto de 2026 nenhum material estava mais barato do que um ano antes; o gasóleo e o fio de cobre subiam cerca de 30%.
Custos de construção de habitação nova
Variação da média anual do índice · % · 2019–2025
- Total
- Materiais
- Mão de obra
Dado oficial INE, ICCHN base 2021 (0011748). Acumulado: Cálculo próprio.

Falta de mão de obra
A mão de obra é o custo que nunca para: subiu entre 5% e 8% em todos os anos desde 2021, em médias anuais, cerca de 41% acumulados entre 2020 e 2025. A associação do setor, AICCOPN/CPCI, estima um défice de 80 mil trabalhadoresFonte secundáriaECO — PRR: falta de mão de obra na construção civil é risco para meta de 2026Estimativa da AICCOPN/CPCI: défice de 80 mil trabalhadores.Abrir o original ↗. Estimativa de terceiros
O setor depende de trabalhadores estrangeiros. A Segurança Social contou mais de 600 mil estrangeiros com contribuições, ao longo de 2025, em três setores juntos: serviços administrativos, alojamento e restauração, e construçãoFonte secundáriaObservador — Quem são os contribuintes estrangeiros e onde trabalhamDados do MTSS: mais de 600 mil em três setores (2025).Abrir o original ↗. Em dezembro de 2025, cerca de 117 mil estrangeiros descontavam na construção. As entradas de estrangeiros na Segurança Social caíram 35% nos primeiros oito meses de 2025Fonte secundáriaidealista/news — Banco de Portugal: entradas de estrangeiros na Segurança Social caemEntradas de estrangeiros na Segurança Social −35% nos primeiros oito meses de 2025.Abrir o original ↗.
O que ainda não sabemos
Nenhuma fonte publica a percentagem de estrangeiros no emprego da construção. Os 600 mil são uma contagem anual de três setores; os 117 mil são um retrato de um mês. Não são comparáveis, e a quota está no registo de verificação como por calcular (V04).
Impostos e licenciamento
Até 2025 a construção nova pagava IVA de 23%. O governo Montenegro aprovou o IVA de 6% na construção e reabilitação de habitação, para obras com pedido de licenciamento ou comunicação prévia entre 25 de setembro de 2025 e o fim de 2029, e com tetos de preço de venda e de rendaFonte primáriaDiário da República — Decreto-Lei n.º 97/2026 (IVA a 6%, IMT para não residentes, RSAA)Texto oficial lido.Abrir o original ↗Fonte secundáriaECO — Casas terão de ser vendidas ou arrendadas dois anos após construção para beneficiarem de IVA a 6%Condições e tetos do IVA a 6% na construção.Abrir o original ↗. Como uma obra demora dois a quatro anos, as primeiras casas abrangidas só ficam prontas a partir de 2027.
O FMI aponta o licenciamento lento como causa estrutural. O Simplex Urbanístico, do governo Costa, em vigor desde março de 2024, tentou encurtá-lo. Os prazos médios antes e depois ainda não estão medidos (registo V10).
Argumentos contrários
- Os custos de construção subiram muito menos do que os preços das casas (+33% contra +164% em 2015–2025, em períodos diferentes). Os custos explicam parte da subida, não a maior parte.
- Custos mais altos também podem refletir mais procura por obra, não só escassez: quando há mais projetos, os empreiteiros podem cobrar mais.
